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Maratona pelo emprego

O Brasil está a poucos meses de um recorde. Em 2005, segundo estimativa inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país terá o mais alto número de jovens já registrado em sua população. Serão 35,1 milhões de habitantes com 15 a 24 anos - 1,3 milhão a mais que o observado no último Censo Demográfico, em 2000. Significa dizer que um em cada cinco brasileiros estará em idade para trabalhar, num mercado de desemprego recorde, salários baixos e exigências que contrastam com a má formação e a inexperiência de quem está apenas engatinhando na vida profissional.

O demógrafo Juarez de Castro Oliveira, responsável pelas estimativas populacionais no IBGE, explica que o nível recorde de jovens é resultado das (ainda) altas taxas de natalidade do passado. Nos anos 80, a população crescia 1,96% ao ano, mais que o dobro dos atuais 0,77%. A geração que entra, agora, na idade adulta nasceu nos últimos anos do regime militar. São filhos da recessão de 1981 e 83. Não têm idade para lembrar dos efeitos de uma sucessão de malfadados planos econômicos (Cruzado, Cruzado Novo, Bresser e Verão); têm na memória a estabilidade de preços e a crise do emprego. Juarez Oliveira ressalta, no entanto, que esses milhões de jovens não vão, necessariamente, buscar ocupação em 2005. "Depende das necessidades de cada um."

Mas quem for disputar uma vaga vai ter que suar. A taxa de desocupação dos jovens equivale ao dobro da média nacional: 26,5% contra 13,1% em abril de 2004. Eles são minoria entre os ocupados (18,4%) e maioria entre os desempregados (44%) do país. Ao todo, há 1,244 milhão de desempregados de 16 a 24 anos, boa parte em busca da primeira ocupação.

 

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